
Educação hospitalar garante a continuidade da educação de crianças em tratamento de saúde
Dando continuidade à proposta inicial de realização de textos acadêmicos inspirados pela X Semana da Educação, foi produzido o texto a seguir, sobre a palestra de Rosane Martins: “O pedagogo no hospital: humanização, brincar e aprender em ambientes de saúde”.
Durante a X Semana da Educação da PUC-Rio, realizada em 3 de setembro de 2025, a psicóloga Rosane Martins apresentou a palestra “O Pedagogo no Hospital: Humanização, Brincar e Aprender em Ambientes de Saúde” , destacando a importância da pedagogia hospitalar como prática de humanização e garantia do direito à educação durante a internação — serviço previsto nas Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica (2001).
O palestrante trouxe reflexões sobre a atuação pedagógica em ambientes hospitalares, particularmente a partir da própria experiência na classe hospitalar do Instituto Nacional de Câncer (Inca), ressaltando que a humanização é o pilar central dessa atuação. Esse profissional, segundo ela, exerce uma função de mediação entre pacientes, famílias e equipes de saúde, oferecendo acolhimento, escuta e apoio. Essa presença pode contribuir para reduzir o estresse e a ansiedade das crianças no tratamento, criando condições mais projetadas para recuperação.
Entre os objetivos centrais das aulas hospitalares, Rosane enfatizou: facilitar o acesso à rede regular de ensino, evitando rupturas no processo formativo; dar continuidade ao desenvolvimento e à aprendizagem, autorizando a criança como sujeita a direitos em situação transitória de tratamento; e possibilitar que uma criança se reconheça em um espaço de identidade “não doente”, preservando-a para além da condição clínica. Para tanto, o pedagogo adapta metodologias e conteúdos à realidade clínica dos pacientes, o que facilita a reintegração escolar após a alta.
Rosane também apontou os principais desafios da área, como a necessidade de ampliar a oferta de aulas hospitalares, a carência de recursos específicos, a complexidade do diálogo com as escolas de origem e a exigência de grande flexibilidade pedagógica, já que em um mesmo grupo podem ser crianças de diferentes idades e níveis de aprendizagem. A convivência com situações de perda e morte de pacientes foi mencionada como uma das dimensões mais delicadas da profissão, exigindo dos pedagogos equilíbrio emocional para lidar com as próprias emoções e apoiar famílias e colegas.
Mesmo diante disso, a prática pedagógica nos hospitais mostra como a educação é capaz de promover acolhimento, humanização e esperança. As atividades vão muito além do conteúdo escolar: envolvimento festas de aniversário, cinema, brincadeiras, visitas aos quartos etc. O brincar, nesse cenário, aparece como linguagem fundamental, capaz de sustentar a infância mesmo em um ambiente de dor e incerteza.
Essa palestra nos trouxe a importância da reflexão sobre a invisibilidade desse serviço, uma vez que enfrentou barreiras significativas em relação à falta de investimento, pesquisa e reconhecimento.
Ao final, a fala de Rosane deixou claro que o pedagogo hospitalar é um mediador de aprendizagens e de experiências de vida, alguém que garante à criança o direito de ser reconhecido em sua integralidade, mesmo no contexto da doença. Para sintetizar, ela trouxe uma reflexão conhecida de Rubem Alves: "Ensinar é um exercício de imortalidade. De alguma forma continuamos a viver naqueles olhos íntimos aprendendoam a ver o mundo pela magia da nossa palavra. O professor, assim, não morre jamais."
