
Diversas escolas para diversas infâncias
O texto a seguir constitui uma atividade realizada na turma de Leitura e Escrita III, ministrada pela professora Mirna Juliana S. Fonseca, cuja proposta foi a produção de textos acadêmicos e livres a partir da X Semana da Educação. A “parte 1” apresenta a aula inaugural.
A X Semana de Educação da PUC-Rio 2025, foi realizada entre os dias 1º a 4 de setembro no auditório do RDC. O evento foi produzido pelo Departamento de Educação e o Centro Acadêmico de Pedagogia – Sankofa e teve como tema: “Diálogos, Práticas e Possibilidades”. Alguns dos conceitos discutidos foram: educação viva, psicopedagogia, pedagogia em movimento, classe hospitalar, gestão escolar, pedagogia social e contou com a participação de convidadas atuantes nas áreas da educação: Verônica Pinheiro (Rede Municipal de Ensino do Rio de Janeiro), Helen de Oliveira (Espaço Versar), Roseane Martins (Inca), Maria Luiza Canedo (PUC-Rio), Lívia Gabriela (Creche Jurema), Laísa Azevedo e Indira Inda (RAE – PUC-Rio) e Mariana Barbosa (Instituto Reação).
A palestra de abertura “Educação viva, atrevimentos e contracolonialidade: diálogos e práticas de aprendizagens selvagens”, Verônica Pinheiro apresentou perspectivas sobre a valorização da educação contracolonial, as trocas de saberes, a aprendizagem mútua e o conhecimento indígena. Durante sua apresentação, a educadora destacou a forma como a educação e o aprendizado se manifestam de maneira autêntica e conectada à vida em contextos não urbanos. A educadora traz para sala de aula uma prática que atua na construção da identidade, reconhecendo sua origem e introduzindo novos costumes que enriquecem sua experiência pessoal e social, baseada na lei nº 11.645/08, que trata da inclusão da história e cultura afro-brasileira e indígena no currículo.
O objetivo da palestrante foi mostrar através de slides e objetos, como o povo ameríndio constrói os seus saberes e como dialogam as suas histórias com os visitantes que chegam e pedem para conhecer ou educadores que querem entender como podem se tornar melhores professores em educação contracolonial. Foram apresentadas as Escolas Vivas: Guarani, Tukano-Dessano-Tuyuka, Maxakali, Baniwa e Huni Kui.
A palestrante compartilhou metodologias desenvolvidas junto às crianças dessas escolas, destacando atividades com as mãos e o corpo, danças e cantos com músicas ritualistas, uso do tear, entre outras, que reativam a memória ancestral.
A educadora compartilhou como a língua portuguesa é ensinada nessas escolas, além de sua língua materna, a qual não é valorizada e aproveitada nas avaliações que competem às escolas brasileiras.
A palestrante relatou o quanto aprendeu com as metodologias das Escolas Vivas e que percebeu como a proposta de ensino do Rio de Janeiro é fechada e repetitiva. Ela tenta sempre aplicar em sua prática, atividades com tear, além de programações com as crianças que permitem plantar, colher e conhecer espaços históricos do Rio de Janeiro, como o Jardim Botânico.
A palestra nos levou a refletir sobre a criança como agente (sujeito de direito), sobre como integrar práticas das Escolas Vivas nas escolas tradicionais, introduzindo na sala de aula os saberes indígenas.
